Se existe uma certeza sobre as consequências do avanço da tecnologia nas carreiras jurídicas é que teremos ganhadores e perdedores. Quem? Difícil dizer, mas algumas apostas são pule de dez. Já temos quase 1.500 faculdades de Direito no Brasil onde estão matriculados 900 mil futuros bacharéis, um recorde mundial. Nem vem ao caso aqui discutir a qualidade do ensino, a lei da oferta e da procura se encarregaria de fazer a peneira mesmo que todas oferecessem educação padrão USP, PUC ou FGV. O fato é que o mercado já parece muito saturado e, de um modo geral, os valores dos honorários estão no chão. É claro que ninguém está falando das bancas da avenida Faria Lima, que contam faturamento em centenas de milhões, ou da elite da Lavajato, onde o tíquete por uma única defesa pode chegar a 10, 15 milhões de reais. Estes são raros, vivem em um mundo tão diferente que parecem seres de outra espécie. Em alguns Estados, metade dos advogados não em está em dia sequer com a anuidade obrigatória cobrada pela OAB, coisa de mil reais. E lá vem a onda… Cerca de 30% de todos os advogados no Brasil têm menos de cinco anos de profissão, sendo que em estados como Sergipe os jovens são quase a metade do contingente. Jovens!. Jovens que, como em todas as carreiras, estão mais dispostos a fazer concessões até encontrar seu lugar no mundo.
O desembarque dos robôs não passará despercebido.
Então, qual é a aposta? Provavelmente, os advogados que estão na base da pirâmide vão ganhar uma sobrevida porque já trabalham por honorários tão baixos que ainda levará um tempo para que o preço de incorporação de tecnologia seja competitivo. No topo, a tecnologia pode ser uma grande aliada pois, teoricamente, vai liberar mentes brilhantes das atividades monótonas e burocráticas. A zona de perigo está no meio. Onde isso fica? Fica em uma região onde há outros querendo fazer o mesmo por menos.
Há, porém uma grande oportunidade para todos que é fazer melhor o que só as pessoas sabem fazer. É assim que se pode enfrentar os robôs. O pessoal da base precisa se lembrar que o Brasil é um país pobre, inflamado por pequenas divergências que podem ser resolvidas com boas doses de empatia e bom senso respaldado por conhecimento jurídico essencial. Todos os outros precisam lembras da importância de se construir relacionamentos, transmitir segurança ao cliente, buscar o melhor acordo em uma conversa, a empatia, a simpatia… não se vislumbram robôs que possam fazer isso direito.